|
|
|
|
|
|
|
|
Se você não tem uma história boa
para contar, invente uma !!! (Jan/07) |
|
|
|
|
Por Eloi Zanetti *
|
|
|
|
Marketing
é a arte de contar histórias. Atrás de toda empresa de sucesso sempre tem uma
boa história. O que é que vocês pensam que o Comandante Rolim fazia quando se
dispunha a ficar ao lado das escadas dos seus aviões, recebendo os passageiros
da TAM nas horas de maior movimento no aeroporto de Congonhas? Ora, inventando
histórias para a sua empresa.
|
|
|
|
Ele
era um hábil criador e contador de histórias. Inventou o fale com o
presidente, o tapete vermelho, instalou salas de espera especiais com música ao
vivo, espaço para idosos e deficientes, cafeteria para atenuar as esperas de
embarque, etc.
|
|
|
|
Com
isso ajudava a formar e fortalecer a marca da sua empresa. Ele sabia como ninguém
que é a soma de pequenas histórias que formam a grande história de uma marca.
Cabe, principalmente ao marketing, ajudar a identificar, inventar, organizar e
contar as histórias que formam as marcas. É este alinhavo dos fatos ao longo
da linha de comunicação que dará a sedimentação da marca e o posicionamento
na mente dos nossos clientes.
|
|
|
|
A
comunicação tem que deixar rastro ao longo do tempo e para que isso possa
acontecer devemos ter cuidado com a linguagem: coerência, consistência e
pertinência sempre. É preciso saber se manter na linha de comunicação
contando histórias diferentes, mas que somadas digam uma única coisa, a história
da empresa. A comunicação se processa na sedimentação, tudo precisa de
elaborado com inteligência.
|
|
|
|
Ouvi
recentemente que o grande boxeador Cassius Clay - Muhammad Ali -, no início da
sua carreira, foi visitado por um jornalista da Revista Life, uma das maiores
revistas do seu tempo. A publicação da entrevista seria fatal para a carreira
do pugilista iniciante, pois a exposição na mídia nacional iria ajudar a
colocá-lo entre os grandes. O lutador percebeu que a entrevista não estava
rendendo o esperado e que o jornalista não escreveria nada sobre ele. Esperto,
inventou na hora que para adquirir resistência treinava boxe no fundo da
piscina.
|
|
|
|
O
jornalista mostrou-se interessado e ele amarrou pesos no corpo e se atirou na água.
E, para espanto do entrevistador, lá no fundo fazia jabs, swings e ganchos. Na
outra semana estava na capa da Life e deu início a uma das mais belas carreiras
do esporte. E enquanto pôde foi inventando histórias ao seu respeito. Ele se
alimentava da mídia e a mídia se alimentava dele.
|
|
|
|
Inventar
histórias é bom para a marca, mas elas não podem parecer falsas. O público
percebe na hora a sua segunda intenção. Políticos experientes sabem bem
disso, inventam e estimulam boas histórias sobre seus trabalhos. Um velho político
mineiro chegou a dizer: não importa o fato, mas sim a versão do fato. Quer político
mais habilidoso em criar fatos do que o Jânio Quadros?
|
|
|
|
Você
pode falar dos seus produtos e como foram criados, das dificuldades do
pioneirismo, como tudo começou e dos fatos mais pitorescos. Uma vez
identificados, reforce-os, colocando emoção neles. Por exemplo, numa empresa
em que trabalhei, o Boticário, há uma deliciosa e verídica história: o
Miguel Krisgner, fundador da empresa, foi estimulado por um amigo a comprar do
apresentador Silvio Santos os frascos de perfumes que o mesmo mantinha em
elevado estoque num barracão do SBT.
|
|
|
|
O
apresentador ia lançar uma linha de perfumes, desistiu e não sabia mais o que
fazer com os frascos. O Miguel chegou em boa hora e arrematou tudo e por um preço
baixo, pois a emissora precisava desocupar o espaço para montar um cenário de
novela. Miguel, na saída, ainda perguntou se poderia levar também o molde dos
frascos. - Leve tudo. - falaram os diretores do SBT. Miguel voltou a Curitiba e
teve dificuldades para armazenar tantos frascos, usou até as garagens dos
amigos. Nascia ali um dos maiores sucessos da perfumaria nacional, o frasco era
no formato ânfora, marca registrada do Boticário e o primeiro perfume a ocupá-lo
foi o Acqua Fresca, cujas vendas, em enorme quantidade, deram, início ao
sucesso da empresa.
|
|
|
|
Quanto
mais refinada a história, melhor. É a sutileza da montagem da sua estrutura
narrativa que vai pegar as pessoas. Vi na Bienal do Mercosul em 2003 uma história
que me comoveu muito. Ela não tem nada a ver com o ambiente empresarial, mas
serve como exemplo: foi dada à artista americana Rachel Bernick a possibilidade
de fazer uma instalação. E o que ela fez? Havia ouvido falar que quando o sábio
Humboldt visitou a Venezuela há 200 anos encontrou uma tribo de índios que
havia dizimado outra e como troféu de guerra trouxeram para a aldeia os
papagaios da tribo exterminada. Estes papagaios repetiam as palavras aprendidas
da tribo morta.
|
|
|
|
Humboldt
com a ajuda de um indígena, escreveu a onomatopéia das aves. A artista, com a
autorização do Ibama, coletou aves na floresta e ensinou-as a repetir o idioma
Maypure, o da tribo morta. Colocou-os em um grande viveiro, envolto em papel
translúcido, onde você podia ver a silhueta de palmeiras e papagaios. E eles
repetiam para nós, no presente, as palavras de uma tribo extinta há 200 anos.
Isso é criar uma boa história. Está aí um desafio para você: qual é a sua
história? Qual é a história da sua empresa?
|
|
|
|
*Eloi Zanetti é Consultor
|
|
|
|
|
|
© CONSUMIDOR MODERNO
|
|
|
|
topo
|
|
|
|