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Por que não saímos de Férias como
antigamente ? (Jan/07) |
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Por Dieter Kelber *
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Já se vai o tempo em que férias eram sinônimo de descanso e a única coisa
que tínhamos de nos preocupar era com a data e o lugar para onde íamos. No
ritmo frenético de trabalho que vivemos hoje, o período tradicionalmente
consagrado às férias passou a ser mais um motivo de ansiedade e até de
estresse. No ritmo frenético de trabalho que vivemos hoje, o período
tradicionalmente consagrado às férias passou a ser mais um motivo de ansiedade
e até de estresse. Uma pesquisa recente mostrou que executivos têm até
receito de tirar férias, já temendo o que os espera quando retornarem. Também
há a "síndrome de final de ano" em que as pessoas, em vez de
aproveitar o período para descansar, acabam acumulando as frustrações do que
não conseguiram realizar durante o ano com a ansiedade e expectativa dos
projetos para o futuro.
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Para que possamos entender um pouco o foco distorcido que muitos dão a este
tema, é preciso voltar no tempo, quando tínhamos uma vida bem mais rotineira
que nos dias de hoje. O pai, o único que trabalhava, era o provedor do sustento
da família. A mãe cuidava do lar e da educação dos filhos em casa, e estes
tinham aulas de março até fim de junho e de agosto até o início de dezembro.
O ritmo era bem diferente de hoje, e poucas empresas faziam pontes nos feriados
ou entre Natal e Ano Novo. O mês consagrado era janeiro, quando a família
completa escolhia um local único para ir e ficar praticamente o período
integral de férias. A motivação maior não era o descanso do trabalho, mas o
momento de passar um longo tempo desfrutando o prazer de ter a família unida. A
maioria das pessoas trabalhava naquilo que gostava, e os picos de estresse no
trabalho não sofriam um agravamento com questões externas críticas, como trânsito
e segurança. A flexibilidade era extraordinária, pois se não dava para se
sair de férias em janeiro, se saía em fevereiro ou ainda em julho.
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As opções eram bastante limitadas, e qualquer viagem internacional era
planejada com mais de ano de antecedência. A tecnologia engatinhava. Ligações
interestaduais levavam às vezes um dia inteiro para serem completadas. O
resultado das fotografias via-se, apenas, umas duas semanas após o regresso das
férias, e muitas vezes eram frustrantes e sem chance de recuperação. A
competição no mercado, tanto entre empresas quanto entre profissionais, era
menos acirrado. O meio ambiente, mais preservado, bastante acessível com pouco
investimento.
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Esse retrato mudou radicalmente nos dias de hoje, em que as pessoas tendem a
sair de férias por estarem exaustas do trabalho (em que uma grande massa
executa atividades que não gosta fazer), para conhecer novos lugares
entusiasticamente vendidos pela mídia, para acrescentarem no seu currículo um
lugar que se tornou um must, para "rever" os filhos e outros
familiares, esquecidos durante o ano por conta do excesso de trabalho até altas
horas. Férias se tornaram um momento para achar um lugar que proporcione alguns
dias de segurança, uma fuga do trânsito caótica, uma oportunidade de meditação
e isolamento, entre tantos outros motivos bastante centrados no "eu".
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Ao mesmo tempo, o ritmo da família mudou radicalmente. Temos mais pais, mães,
meio irmãos, avós novos e antigos, ex-sogras e novas sogras, novos e velhos
colegas de trabalho, cada um com o seu perfil, sua rotina, seus afazeres, seus
objetivos e tradições.
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Para tornar a situação ainda mais complexa, a globalização da economia
trouxe consigo um ciclo de trabalho nas empresas cada vez mais frenético, onde
tradicionais períodos de férias locais são substituídos por inúmeras
atividades de planejamento, reuniões, pré-projetos, entre outros, sob a
coordenação das matrizes internacionais. A economia não pode parar. Será que
podemos sair de férias, como antigamente, numa situação dessas?
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Uma autora escreveu recentemente que "a função das férias é quebrar a
rotina de trabalho, fazendo com que o funcionário se descontraia e se
revigore". Cabe aqui uma reflexão: não será melhor quebrar a rotina do
trabalho, de nossas atividades de uma maneira geral, no nosso dia-a-dia, para
nos descontrairmos e revigorarmos? Somos totalmente partidários a estarmos em
"estado" de férias todos os dias, ou seja, felizes com o que fazemos,
nos descontraindo, nos revigorando, quebrando a rotina, buscando novos caminhos,
e principalmente aprendendo a falar NÃO. Não para os excessos, sejam eles
quais forem, inclusive aqueles que levam a um excesso de informação e comunicação
exarcebada. Uma distribuição adequada do nosso tempo em atividades alinhadas
com as nossas motivações internas certamente minimizará o nosso estresse,
seja ele qual for.
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É necessário ter tempo e vontade para fazer um pouco de tudo que gostamos, além
de trabalhar. Dormir bem, comer bem, conhecer novos lugares e pessoas, dançar,
tirar fotos, cortar grama, consertar coisas, pescar, namorar, visitar amigos e
parentes, enfim se divertir, pode ser feito sem a necessidade de férias
programadas. Como também não pode ser considerado algo errado se no meio das férias
você tiver contato com o trabalho, se você gosta do que faz.
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É fundamental acharmos o nosso ponto de equilíbrio, que varia de pessoa para
pessoa. É tempo de mudarmos o pensamento "trabalho ou férias" para
"trabalho e férias". Assim ficará mais fácil responder:
"afinal, o que são férias?".
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*Dieter Kelber é Pesquisador, Consultor e Diretor-Executivo do Instituto Avançado de
Desenvolvimento Intelectual (Insadi)
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dieter.kelber@insadi.org.br
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www.clientesa.com.br
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